segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Scrivimi


Escreva-me
Quando o vento desfolhar as árvores
E os outros tenham ido ao cinema
Mas você ficar sozinha, pouca vontade de falar então
Escreva-me
Fará você sentir-se menos frágil, quando nas pessoas
Encontrar, tão somente indiferença...
Você não se esquecerá jamais de mim
E se não tiver para dizer nada de especial,
Você não deve preocupar-se, pois eu saberei entender...
Para mim basta saber que você também pensa em mim
Por um minuto, e eu sei me contentar com um simples olá
Falta pouco para estarmos mais próximos...
Escreva-me
Quando o céu se tornar tão límpido
E as jornadas se tornarem longas
Mas você não esperar a noite, com vontade de cantar
Então, escreva-me, também quando você pensar
Que está apaixonada...
Escreva-me.

Renato Russo



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Mute

Olha só o que encontrei no arquivo do meu e-mail. Na epoca em que fazia curso de teatro tinha uma mente muito fértil, digamos assim. Já montamos (eu e outros quatro amigos) um grupo teatral, mas infelizmente acabou tendo seu fim sem nenhum projeto concluído. Também já iniciei um texto para uma peça teatral (tragédia) mas acabei não dando continuidade (não me lembro o motivo).

Heis que bisbilhotando nos e-mails antigos encontro parte desse texto e vou compartilhar com vocês. É apenas o início de um projeto não acabado, não está polido como gostaria que estivesse. Quem sabe eu não dê continuidade em 2018.


Era um menino
Como outro qualquer
Tinha tudo, tinha nada
Sempre à beira da adoção,
Mas não tocava o coração
Pois ninguém ouvia seu grito de amor
Gritava com quem calava a voz da multidão

Crescia e trabalhava, para ajudar suas mães
Que por ti davam tudo
Até o mundo, para vê-lo em outro colo
Não tinha comida, não tinha nada
O que tinha compartilhava com seus irmãos
Falando: Passava frio, um frio que o amor não era capaz de aquecer...


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A Bailarina - Cecília Meireles


Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças