domingo, 7 de agosto de 2011

Marte

Certa vez um jovem extraterrestre esteve em nosso mundo. Chegando lá ele começou a visitar nossas belas florestas, florestas pela qual tenho orgulho. Se encantando com o que deparava, com olhinhos brilhando disse: Quando eu voltar aqui, vou levar um pedaço disso para meu planeta. Andando mais um pouco se percebeu em meio ao Cerrado e logo a Caatinga, paisagens diferentes das que estava acostumado. Resolveu anotar em seu caderninho com todos os detalhes que podia captar, e resolveu pedir ao seu pai que também levasse um pedacinho para seu planeta. Horas depois se viu em um manancial de águas, belas, cristalinas. Águas que jamais viu em seu planeta. Decidiu: Também quero um pouco desse líquido la em casa.


 
Passado algumas horas, chega o jovem aos gigantescos edifícios das cidades grandes, fica admirado com o tamanho deles, pensa um pouco, pensa mais um pouco e fica em dúvida se quer levar um desses para seu planeta, afinal, isso isola as pessoas, ele não gostaria de ver pessoas que se amam ou poderiam se amar, a terem amizades distanciadas por 25 centímetros de concreto. Deixou de lado as enormes construções e foi andar pelo que os humanos chamam de “calçada”. De repente vê uma ser humana com cara de mais idade atravessando aquilo que os seres humanos chamam de rua, sem olhar para os lados, uma jovem humana, muito linda por sinal, foi correndo para ajudar aquela senhora. O garoto ficou maravilhado com o que acabará de presenciar. Resolveu então anotar na sua lista, levar aquela bela jovem, de atitudes nobres. Após andar tanto o rapaz para descansar, como ninguém o vê, foi descansar em um belo hotel, muito confortável.

No dia seguinte o menino saiu em nova jornada pela cidade grande, passando por lugares desconhecidos. Vendo coisas que desagradaram seus olhos. Viu algo estranho, um palitinho que os humanos colocavam em sua boca e depois sopravam fumaça. Seu pai havia explicado que a função da boca era comunicar, alimentar e respirar, apenas. Ficou curioso. Resolveu experimentar. Tossiu muito, passou mal, muito mal. Viu que os seres humanos não tinham respeito pelo seu próximo, que jogavam o resto daquilo na calçada, onde todos pisavam. E percebeu algo de tamanha burrice que ficou chocado. Notou que os mesmo homens que jogavam aquilo no chão, pagavam para outros homens tirarem aquela porcaria do chão. Enfim, cansado de cheirar uma fumaça idiota, o jovem volta o mais rápido possível para casa e conta o que viu para o pai.


O menino conta que viu nossa natureza e quer trazer um pedaço dela. O pai diz que não. Que cada planeta tem o que é dele e isso não pode ser roubado, não é uma boa atitude. O menino resmunga, mas de nada vale, o pai tem certeza da decisão. Então, o menino conta da jovem que viu e sua atitude, e implora se pode trazer ela, o pai, mais uma vez nega e diz que nada pode ser trazido de la para cá. Cai uma lagrima do rosto do menino. Por fim o rapazinho conta das coisas feias que viu, da sujeira na rua, e do tal palito que produz fumaça. O pai deu uma bronca e disse para nunca mais fazer isso, que as coisas dos homens não são todas de bom valor, não deve jamais pegar algo da mão de um ser humano desconhecido e com sorriso no rosto. Ai o filho diz, isso que eu vi la papai, eu aceito o que o senhor me disse que não pode se trazer nada de la para cá. O pai balança a cabeça. Não meu filho, no futuro próximo os homens trarão isso para nosso planeta, e, indefesos e invisíveis que somos nos calaremos.