quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Elles e Ellas

(...)

— Vem cá, minha filha... senta-te aqui, entre teu pai e tua mâi.. assim., falávamos justamente a teu respeito; tua mâi está preocupada com o teu estado de saúde. acha-te pálida, mais magra, com olhos de choro. Que te amofina ? dize; sabes que estamos prontos a fazer tudo pela tua felicidade, não quero que nos ocultes os teus desgostos; persuade-te de que os nossos conselhos só poderão servir para desvanecer as tuas duvidas, se as tens, ou os teus cuidados—e sê franca... não respondes?... Bonito, agora choras! Mas por que choras, filhinha? Estarás porventura doente? Dóe-te alguma coiza?
— Não.
— Nesse cazo. quem te vir assim ha de julgar que teu marido. Peor, agora soluças!, mas o teu marido parece um rapaz correto, um bom rapa?...
— Elle é bom...
— Se elle é assim não vejo motivo para chorares, nem para andares tão taciturna.. — Estou triste porque elle matou o lago.. não é por mais nada.
— O lago?... o teu cachorrinho? oh! mas isso foi uma brutalidade sem nome.

Elles e Ellas, 1922
Júlia Lopes de Almeida